Parteira e rezadeira viu nascer a nova Camaçari

Iwwa Agência
Publicado 23/09/2009 08:09:00

Saia rodada, blusa amarela bem folgada e toalha amarrada na cabeça, Dionísia Francisca Conceição chegou a Camaçari, sozinha, em 1965. Hoje, aos 79 anos de idade, sete filhos, 59 netos, 33 bisnetos e dois tataranetos, ela relata como viu a cidade mudar nos últimos anos.

No ano em que o Município faz 251 anos, ela completa 44 anos na cidade. Aposentada pelo Complexo Industrial de Camaçari, a “véia” Dionísia, como é conhecida, tem uma vida ativa. Participa das atividades do Projeto Conviver, onde dança samba-de-roda.

Rezadeira famosa na cidade, Dona Dionísia atende todas as quartas-feiras, em sua casa no bairro do Buri Satuba. O movimento é grande na casa modesta. São “umas 20 pessoas”, calcula.

Dona Dionísia, natural de Cruz das Almas, conta que para chegar a Camaçari teve de vender um porco da família. Ela veio atrás do marido, trabalhador da Cerâmica Bloco Forte, que havia se mudado para ganhar dinheiro e sustentar a família.

Quando chegou, a cidade era pouco habitada e praticamente não existia comércio. Só tinha um boteco, a casa de seu Estevão e a venda de Paizinho. O transporte dos moradores era feito por carroças, bicicletas e pelo trem.

Pescadora, parteira, rezadeira e tudo o mais, Dona Dionísia disse que o Município era muito bom naquela época. Ela ia para o rio Camaçari lavar roupas e pescar com os filhos. Graças ao marido, falecido há 17 anos, conseguiu um emprego na Cerâmica.

A ida para o trabalho era motivo de graça. Como não tinha transporte, os trabalhadores iam juntos até o local. Eram 15 minutos de caminhada e muita conversa. Dona Dionísia conta que fica impressionada com todas as mudanças e transformações de Camaçari.

Naquela época, não existia hospital na cidade e ela era uma das parteiras mais requisitadas, com mais de 50 partos realizados. Orgulhosa, lembra que criança nascida sábado e domingo, “vinha ao mundo” pelas suas mãos.

PROTEÇÃO
Todas as quartas-feiras, a casa número 186, da avenida Otávio Mangabeira fica lotada. Pessoas vindas de Salvador, Dias D’Ávila, Simões Filhos e Candeias procuram Dona Dionísia para serem rezadas contra mau olhado, dor de cabeça, insônia e tantas outras coisas.

Foto: Nelinho Oliveira

Dona Dionísia lembra dos banhos no rio Camaçari -

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