Camaçarienses que inspiram: Edicleia Pereira Dias

ASCOM
Publicado 26/09/2021 11:09:19

Fruto da escola pública de Camaçari, pedagoga formada pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), professora da Rede Municipal de Camaçari, militante das causas sociais voltadas aos jovens da periferia, idealizadora do Banco de Absorventes da Escola Municipal Cosme de Farias, mulher, esposa, mãe e dona de uma alegria contagiante. Esses são alguns dos atributos que fizeram com que Edicleia Pereira Dias, fosse escolhida para participar do quadro “Camaçarienses que inspiram”.
 
A iniciativa faz parte das homenagens da Prefeitura Municipal, apresentadas na semana em que a Cidade de Camaçari celebra os 263 anos de emancipação política, comemorado no dia 28 de setembro, oportunidade que destaca pessoas ilustres, residentes do município e que tem uma história de vida digna de inspiração.
 
A trajetória da homenageada desta edição, se destaca pelo engajamento em um projeto de educação diferenciado e aliado ao social, com perspectiva de avanços em termos de inclusão e qualidade quando é capaz de entender e atender sujeitos na sua integralidade, acolhendo famílias, comunidades e territórios.
 
Nascida em Salvador “por acidente”, como descreve e narra, Edicleia se considera uma cidadã camaçariense. “Nasci na capital baiana por um acidente de percurso. Na época Camaçari não tinha maternidade e minha mãe teve complicações no parto e foi transferida para Salvador, depois do nascimento fui registrada em Camaçari. Me sinto nascida e criada nesta linda cidade, que muito me orgulha”, disse.
 
Residente do bairro Ponto Certo desde criança, Edicleia foi aluna do Centro Educacional Maria Quitéria, Colégio Estadual Polivalente de Camaçari, Colégio Municipal São Tomaz de Cantuária e da Escola Normal de Camaçari. Fez magistério e se tornou professora mediante um fato ocorrido em sua infância. 
 
“Quando eu estudava na 5ª série, em 1991, precisei faltar a escola porque meu pai havia se matado. Doente e em processo de depressão, meu pai se enforcou, e com isso passei 15 dias sem participar das atividades escolares. Não tinha anotação no caderno, não conhecia meus colegas, não tinha nem me apresentado para a professora. Porém, depois de me estabelecer emocionalmente eu pude iniciar a freqüência, momento em que a professora estava dando visto nos cadernos e avaliava as atividades cumpridas. Ao ver que em não tinha feito nenhuma anotação no caderno, a professora me questionou. Ao responder do momento de luto que a família enfrentava, de forma fria a professora indagou: O que eu tenho com isso, não foi eu que matei seu pai!”, relatou Edicleia, emocionada, tentando conter as lágrimas que insistiam em descer do seu rosto.
 
A partir desse dia, chorando no banheiro da escola, Edicleia fez a promessa de ser professora e de transformar positivamente no percurso de vida dos seus alunos. “Eu prometi naquele dia que seria professora e que a trajetória de vida do meu aluno seria o ponto de partida do meu trabalho”, contou. Ainda de acordo com a pedagoga, esse fato ficou escondido por muitos anos. “Na universidade eu tive a oportunidade de me expressar e contar qual o motivo da escolha pelo curso de pedagogia, pude contar e liberar aquela mágoa que estava guardada dentro de mim”, contou acrescentando que hoje se considera uma mulher presente, atuante, que resiste e luta, nessa profissão essencial à vida de todos.
 
Atualmente, a professora tem como premissa a história de vida do aluno. Ela busca saber de onde ele veio, o que ele enfrenta, quem é a família dele, quais as limitações dele, as vulnerabilidades que ele apresenta, as fortalezas que ele possui, e suas potencialidades, a fim de conduzí-lo ao aprendizado e ao desenvolvimento cognitivo da melhor forma. 
 
Durante a conversa com a equipe de comunicação da Prefeitura de Camaçari, a professora fez questão de relatar suas experiências e momentos que marcaram sua vida, pelo fato de trabalhar diretamente com as comunidades.
 
Com perspectiva de atender às demandas relacionadas à política social, a professora da Rede Municipal de Camaçari, já se envolveu em diversas campanhas de arrecadação em redes sociais para ajudar famílias carentes, entre essas iniciativas, a educadora menciona que conseguiu emprego para um pai, condições de moradia digna para uma família, doação de roupa, entre outras histórias de alunos da periferia.
 
Há 20 anos na área da educação, Edicleia é referência por onde passa. Com ex-alunos que hoje já estão adultos, a pró como é carinhosamente chamada por eles, é um exemplo ímpar de gestora, com sensibilidade, habilidade e discernimento para auxiliar e contribuir com o crescimento, desenvolvimento e até a valorização enquanto seres humanos.
 
O trabalho social mais recente e que teve repercussão nacional foi a criação do Banco de Absorventes para atender as alunas matriculadas na unidade e que não tinham acesso ao produto. A iniciativa surgiu em 2014, para combater a evasão escolar feminina, em determinado período do mês, na unidade de ensino.
 
Atualmente, Edicleia está gerindo a Escola Municipal Luís Pereira Costa, no bairro Dois de Julho. Contudo, o projeto segue firme e algumas caixas e pacotes de absorventes são doados por pessoas física e jurídica. Para ampliar os trabalhos com o Banco de Absorventes, a professora continua recebendo doações. Um pacote já faz toda a diferença, então quem quiser doar e colaborar basta entrar em contato por meio do telefone (71) 98850-8470.
 
Hoje, Edicleia se sente feliz e realizada. Declara que os desafios são grandes e o momento é de se adequar às medidas de enfrentamento ao coronavírus. “Com toda mudança que ocorreu perdemos o contato físico, recurso que utilizávamos para criar o vínculo de confiança, conquistar o espaço e possibilitar a construção de relações. Tivemos que nos adequar ao ensino remoto e híbrido, diante disso, buscamos mudar a estratégia para estarmos mais próximos, por meio da escuta e do acolhimento que passaram a ser as nossas ferramentas de trabalho”, explicou, acrescentando o impacto que a pandemia trouxe para o meio escolar.
 
Nascida em 15 de julho de 1979, Edicleia é filha de Eunice Pereira dos Santos, fundadora da Creche Emanoel, localizada no bairro Ponto Certo; e de Domingos Dias dos Santos, que atuava no Polo Industrial de Camaçari, e exercia atividades na carpintaria e na marcenaria; (ambos in memorian). Com dois irmãos que muito lhe orgulham, Danival  Dias, o mais velho, e Edicleide Dias a caçula; a professora é casada, feliz e realizada com Renilton Santiago e mãe do pequeno Renan Santiago, de 8 anos.
 
Por compartilhar sua história de vida, ser sensível à necessidade do próximo, lutar incansavelmente por políticas sociais e entender que educação, amor e responsabilidade são três conceitos de grande profundidade e abrangência, extremamente importantes para a humanidade, é que Edicleia Pereira Dias é uma camaçariense que inspira.


 
 

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