Camaçari é o único a avaliar qualidade do ar

Iwwa Agência
Publicado 23/09/2009 07:09:40

Camaçari é o único município baiano que conta com o projeto de biomonitoramento do ar. A intenção é avaliar a qualidade do ar e relacionar os dados levantados com a ocorrência de problemas respiratórios em crianças de 0 a 5 anos.

A pretensão é expandir o grupo de observação às pessoas a partir dos 60 anos, porque com a ação dos poluentes os idosos apresentam problemas cardiovasculares, um quadro clínico diferente do apresentado por crianças, que são mais vulneráveis à exposição de agentes químicos presentes no ambiente.

Os resultados permitirão o desenvolvimento de políticas de saúde ambiental, de campanhas educativas e ações preventivas para que os índices de doenças respiratórias reduzam, bem como os níveis de poluição.

Inicialmente, os dados epidemiológicos estão sendo coletados no Hospital Geral de Camaçari (HGC) e no Pronto Atendimento (PA) da Gleba B. O primeiro foi escolhido por reunir casos de vários pontos da cidade, e contar com profissionais da equipe da vigilância epidemiológica do Município, o que facilita a coleta e o acompanhamento dos casos.

O PA da Gleba B também foi escolhido por ficar próximo ao anel florestal, região que faz limite com o Complexo Industrial, e por ser uma área com grande concentração de poluentes.

De janeiro a junho, só no HGC, foram registrados 662 atendimentos a crianças com problemas respiratórios como asma, bronquite e Infecções Respiratórias Agudas (IRA).

Maio foi o mês com maior incidência, por conta da mudança climática, que influencia nos processos alérgicos e favorece a concentração de poluentes em um só lugar. Os bairros do Gravatá e Nova Vitória registram o maior número de casos, ambos próximos ao Complexo Industrial.

Para implantar o projeto de Biomonitoramento do Ar, o Município foi divido em 20 pontos. Na sede, a coleta é feita nos bairros Camaçari de Dentro, Centro, Parque Satélite, Gravatá, Phoc, e a localidade de Machadinho. Na orla, o projeto também chega ao distrito de Vila de Abrantes, e nas comunidades de Areias, Arembepe, e Barra do Pojuca.

As seleções dos pontos foram feitos a partir da proximidade com o Pólo Petroquímico e locais sob influência do complexo, atingidos pelos ventos.

Outro critério utilizado foi o aumento da frota veicular em algumas regiões, como é o caso do bairro Parque das Mangabas, na via Cascalheira, que liga a sede a orla da cidade.

A iniciativa da Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde (Sesau), conta com a parceria da Universidade de São Paulo (USP) e do Ministério da Saúde. O projeto integra o Programa Federal Vigiar (Vigilância em Saúde Ambiental Relacionada a Qualidade do Ar). A coordenação é feita pelo Núcleo de Vigilância Ambiental em Saúde, da Sesau. Dois funcionários e dois estudantes de biologia, ambos moradores do Município, estão envolvidos nas atividades.

Além de Camaçari, participam as cidades de Barcarena (Pará), Cuiabá (Mato Grosso), Brasília e a região do Vale do Paraíba, em São Paulo. O projeto de biomonitoramento do ar nas cinco localidades é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e está orçado em R$ 7,9 milhões.

COLETA
Até a segunda quinzena de outubro, o projeto de biomonitoramento do ar ganha um importante reforço com a chegada do Amostrador de Partícula, responsável por capturar materiais existentes no ar através de filtros, trocados diariamente.

O equipamento doado pela USP complementa o trabalho de pesquisa, que também utiliza cascas de árvores e flores (para contagem de polens), como objetos de estudo, por conta da alta sensibilidade a poluição e capacidade em absorver as substâncias expostas no ambiente.

Todo material colhido é encaminhado para análise no Instituto Nacional de Análise Integrada do Risco Ambiental, órgão ligado à Faculdade de Medicina da USP, onde é submetido à técnica de fluorescência de Raio X, utilizada para caracterização quantitativa e qualitativa dos materiais.

Até o momento foram entregues cerca de 30 amostras, e mais 30 serão encaminhas ainda nesta semana.

O projeto será realizado por um período de três anos, para efeito de comparação dos resultados. As coletas são sazonais, ou seja, feitas de acordo com as estações do ano. As primeiras foram colhidas durante o inverno. A próxima acontece ainda este mês com a chegada da primavera.

Os primeiros relatórios com as análises das amostras encaminhadas serão entregues até o final do ano, quando o núcleo poderá cruzar as informações sobre a saúde no Município e os dados da análise.

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